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domingo, 8 de março de 2015

O Fetiche da Tecnologia (Resumo)

O Fetiche da Tecnologia 
Autores: Henrique Novaes; Renato Dagnino
*Resumo elaborado por Hytalo Kanedo (KANEDO, H.L.F. Mestrando em Sociologia - UFG)

O presente artigo trabalha com a visão dos artefatos tecnológicos que muitas vezes nos parecem resultado de um condicionamento racional prático para a resolução ou apoio de problemas que permeiam os aspectos gerais da vida, entretanto essas tecnologias estão intrinsecamente relacionadas com as relações sociais no seu âmbito de produção de mercadorias e, portanto suas relações de desigualdade. Ao utilizar como pedra angular Feenberg os autores pretendem trazer uma perspectiva marxista autogestionária para os usos e produção de artefatos tecnológicos. 

Andrew Feenberg estabelece que, assim como no processo do fetichismo da mercadoria estudado por Marx, a tecnologia também paira no imaginário social como ferramenta puramente técnica reclusa de valores históricos e isenta de posições políticas o que representa também uma construção histórico-social, dissimulando na aparente racionalidade da técnica as relações de classe.
“Nos assuntos práticos do dia a dia, a tecnologia nos é apresentada, primeiro e acima de tudo, por sua função. Nos a entendemos como essencialmente orientada para o uso”(p.191, 2004). 
Feenberg critica a análise positivista e mecanicista da ciência e da tecnologia uma vez que  por meio de um entendimento unilinear de progresso científico elimina o fato de tais artefatos tecnológicos serem produtos socioculturais. A visão positivista se estabelece na ideia da neutralidade da ciência cujo campo se encontra se não totalmente autônomo, quase liberto das aspirações da sociedade. Essa lógica se sustenta na efetivação do uso dos objetos que por meio dessa linha muda ou retira a sua naturalidade/neutralidade conforme ele é usado.
“Como exemplo bastante simples, podemos citar a utilização de uma faca em dois contextos diferenciados. Nas mãos de um cirurgião, um objeto cortante torna-se um eficiente instrumento de trabalho[...] Nas mãos de um degolador, um objeto cortante torna-se prejudicial a sociedade” (193, 2004).
Desse modo a crítica que deve ser feita precisa trazer de volta os aspectos socioculturais e históricos da ciência e da tecnologia de modo a desvendar esse fetiche. A tecnologia também não se apresenta como uma supremacia do homem na dominação das forças naturais. As produções e configurações técnicas se modificam conforme os contextos sociais mudam. Assim a tecnologia não é neutra porque “incorpora valores da sociedade industrial” e por assim fazê-lo se envolve em questões políticas que decaem em categorias como a “dominação cultural” o “controle social” e “concentração de poder”.
“Assim a racionalidade técnica seria também racionalidade política: os valores de um sistema social específico e os interesses da classe dominante se instalam no desenho das máquinas e em outros supostos procedimentos racionais” (193, 2004).
Essa racionalidade técnica destaca-se interseccionada com uma ideologia, nesse caso burguesa industrial que torna-se responsável” por controlar os seres humanos”. Esse controle se estabelece através da categoria de “códigos técnicos” que basicamente é responsável por fazer prevalecer interesses particulares num conjunto maior de possibilidades para solução de determinado problema se apresentando como coerente para por fim ao mesmo. Dessa forma esses códigos manifestam valores, regras e interesses que por meio de procedimentos técnicos tornam naturais a hegemonia por parte das elites dominantes. Desse modo a tecnologia também se configura na função da luta de classes. Feenberg ressalta que: se a teoria que é apresentada é verdadeira então os capitalistas, donos dos meios de produção, possuem um poder maior nas escolhas de produção de artefatos e na criação de processos de trabalho do que os trabalhadores. “A tecnocracia não seria então a consequência direta do efeito de um imperativo tecnológico, mas da maximização do poder de classe sob as circunstâncias especiais de sociedades capitalistas e da tecnologia que engendra” (194, 2004).

Outro pensador que é citado no decorrer do artigo é David Noble (1989), que também ressalta que as relações sociais modificam a tecnologias e que as classes dominantes portanto traz para as produções técnicas seus valores criando um desequilíbrio de poder nas decisões técnicas. O autor assim como Feenberg vê na tecnologia um fetiche cultural e mostra que ele reside naquilo que “está na moda, na ideia inexorável de avanço benéfico” negando o desequilíbrio de poder no uso e produção de determinadas tecnologias por segmentos diferentes da sociedade. 

Os meios são em si os fins

Para Rubem Alves só é possível analisar a tecnologia enquanto sistema, uma vez que ele acredita não ser possível separar a natureza da tecnologia de seu uso, de modo que a tecnologia, como já dito anteriormente, não é somente uma ferramenta de dominação da natureza. Para Alves o erro dos instrumentalistas (mecanicistas e funcionalistas) reside em pensar a tecnologia em termos de meios. Para ele as tecnologias são em si meios e fins importando o funcionamento dos meios, e não “o produto que realmente conta”. Assim Alves cita o exemplo histórico de como a maquinaria foi introduzida na sociedade capitalista não somente para criar uma disciplina de trabalho, mas funcionando também como um ato político para retesar as greves e outras formas de luta dos trabalhadores (as). 

A crítica recente das forças produtivas

Nessa parte do texto os autores resgatam pensadores que trabalharam em como os marxistas lidaram com os aspectos da força produtiva, como a ciência e a técnica, sendo elas ideologicamente neutras e seu desenvolvimento em si positivo. 

A discussão se estende em como o socialismo poderia adotar ou desenvolver seus aspectos tecnológicos tendo principalmente duas correntes: aqueles que acreditavam que não haveria problema em utilizar a ciência e a tecnologia desenvolvida em sistemas capitalistas como o Taylorismo para a superação do mesmo e a implantação do socialismo e por outro lado aqueles que acreditavam que o implemento dessas ciências e tecnologias não representaria a emancipação dos trabalhadores (as), tornando improvável a passagem para o socialismo uma vez que, ele foi pensado para dar aporte ao sistema capitalista sendo construído e produzido na lógica da dominação e exploração burguesa num modelo de luta de classes.

De modo geral Feenberg considera que os marxistas do mundo comunista foram incapazes de pensar em como a técnica e ciência foram/são adaptadas por modelos hierárquicos possuindo aspectos antidemocráticos no modelo capitalista. 

Possibilidades de mudança na configuração tecnológica

Caminhando para o fim do artigo os autores mostram como Feenberg e Lacey produzem o argumento que, para ocorrer às mudanças necessárias a modelos alternativos que sejam coerentes é preciso que haja uma apropriação e redesenho por novos atores sociais, o que não quer dizer que seja essa a única condição necessária. É igualmente necessário a “radicalização da democracia nas instituições de medicação política” e a “extensão da democracia até a esfera do trabalho e da educação”. Os novos modelos de produção de ciência e tecnologia deve levar em conta a dignidade da vida humana bem como sua liberdade e diversidade. Assim os trabalhadores (as) e novos movimentos sociais poderiam representar uma maneira de retirar progressivamente o poder concentrado da indústria das mãos de peritos e especialistas possibilitando uma reconfiguração do sistema técnico que visaria o desenvolvimento pleno das individualidades humanas. 

As discussões sobre ciência, técnica e tecnologia se revelam então como um campo a ser disputado. Não só no aspecto em que interferiria diretamente na divisão do trabalho no “chão de fábrica”, mas que também se apresentaria com a capacidade de múltiplos atores questionarem e participarem dos processos decisórios das políticas cientifica e tecnológica.

Link do texto: Fetiche da Tecnologia

Demasiadamente Pós-Humano


      Entrevista com o sociólogo Laymert Garcia dos Santos, publicada em Novos Estudos,  cujo tema de pesquisa aponta para o "futuro do humano". A conversa realizada com o professor foi realizada pelo grupo de pesquisa "Conhecimento, Tecnologia e Mercado" (CteMe).
     Na conversa Laymer discorre sobre a importância de se discutir  a "politização da tecnologia" tema que ele trabalha profundamente no seu livro Politizar as novas tecnologias: O impacto sócio-técnico da informação digital e genética (2003). O professor comenta sobre o fetiche da tecnologia em países considerados periféricos e como isso afeta a produção da tecnologia, discutindo como muitas vezes há um desvio de função em seus usos. Ademais  toca em perspectivas como correntes de estudos sobre o pós humanismo e humanismo, além de ressaltar alguns pontos da sua trajetória como pesquisador.                            
     A entrevista completa pode ser lida a partir do seguinte link: Demasiadamente Pós-Humano

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Editora da UFG lança livro em quadrinhos: BioCyberDrama Saga

A Editora da Universidade Federal de Goiás inova em suas publicações e torna-se a 1ª editora universitária do país a lançar um livro em quadrinhos. E como o tema do livro permeia nossos interesses vamos a sinopse da obra.

"A primeira parte do álbum narra o dilema de Antônio Euclides, um jovem “resistente” que aos poucos vai sendo seduzido pelas promessas de vida eterna ou plena oferecidas pelas culturas predominantes desse universo futurista, os tecnogenéticos – seres híbridos de humano com animal e vegetal, e extropianos – ciborgues com a consciência de um humano transplantada em um chip. Antônio se depara com a grande questão de sua vida, qual decisão deve tomar: tornar-se extropiano, tecnogenético ou continuar resistente. A segunda parte de BioCyberDrama  dá continuidade à saga de Antônio Euclides e seus dilemas pós-humanos, apresentando uma tensão ainda maior entre as espécies pós-humanas. A parte três, conclusão da saga, possui inspiração na história de Canudos e de Antônio Conselheiro, reinventadas para um contexto pós-humano."

BioCyberDrama Saga foi criado pelo quadrinista, ilustrador e professor da Faculdade de Artes Visuais da UFG, Edgar Franco, em parceria com o ilustrador e desenhista Mozart Couto. A historia do livro é dividida em três partes.

Congratulações pela incrível iniciativa da Editora UFG.

VII Simpósio Nacional da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura















"O VII Simpósio Nacional da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura (ABCiber) é uma iniciativa da ABCiber junto ao PPGCOM de Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná. O VII Simpósio Nacional da ABCiber tem como tema principal o Compartilhamento e a Criptografia de Informações e será realizado entre os dias 20 e 22 de novembro de 2013 na Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Curitiba, Paraná. O evento está estruturado em várias sessões de trabalho: conferência de abertura com conferencista internacional; dois painéis com pesquisadores da ABCiber (1 "Criptografar, compartilhar, incluir. Potencialidades, enfrentamentos e práticas criativas da comunicação na era digital.e 2- “Gameficação” – implicações, práticas e engajamento na comunicação digital); atividades a serem constituídas mediante submissão de trabalhos (mesas temáticas, oficinas, artigos científicos e exposição) e lançamento de livros."


Para mais informações acesse o link: http://www.utp.br/abciber/default.asp
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